

A “Era do Terror” é comandada pelo lendário Dr. Moreau (Alberto Dualib). Cientista balzaquiano que usa jogadores como cobaias em seus experimentos. Suas vítimas são normalmente “abocanhadas” por outra figura espantosa, o Conde Drácula (Renato Duprat). Como não poderia deixar de ser, Drácula costuma usar seu título nobiliárquico para entrar no clube alheio, sem precisar ser convidado. Os jogadores acabam sendo levados para o castelo, onde passam por experiências bizarras. As criaturas transmutadas, às vezes, são motivo de orgulho do criador. Como, por exemplo, Tevez Quasimodo. Mas, ultimamente, a maioria dos experimentos não estão dando certo. O ursinho carinhoso, Amoroso, foi preterido porque não se encaixava no padrão aterrorizante do clube. Provavelmente não tenha aceitado trocar seu nome, e seu futebol, para Tenebroso.


Mas depois da demissão de Emerson Leão – outro que parece saído de um livro de Stephen King – treinadores por todo Brasil, que ouviram seus nomes ecoarem nas catacumbas, se protegeram com crucifixos e água benta. A solução mais uma vez veio à gosto do senhor das trevas. Contrataram um técnico do “além túmulo”, Paulo César Carpegiani. Ou melhor ressuscitaram ele.

Carpegiani chegou ao Corinthians arrastando correntes e arrancando gritos das incaltas. Na primeira coletiva de imprensa, proferiu várias vezes a mesma frase: “Mooore brain!” (“Mais cérebro!), como no filme A Volta dos Mortos-Vivos. Quando estava em vida, Carpegiani foi um excelente técnico paraguaio – com o perdão do trocadilho. Mas depois padeceu na própria incompetência, dirigindo clubes brasileiros. Onde não ganhou mais nada. Com a exceção de um título gaúcho da terceira divisão, pelo RS Futebol Clube – time que, aliás, ele também é dono.
O treinador volta ao “plano terreno” para comandar um elenco saído do clipe musical “Thriller”, do Michael Jackson. Num clube ditatorialmente comandado por um cientista maluco, que mantém relações estreitas com o russo Rasputin. A fórmula perfeita para mais um episódio cheio de sustos e banho de sangue, ou melhor, de bola. Dos adversários, é claro. Será inapropriada a audiência de cardíacos e crianças menores de 12 anos.
Mas caso Carpegiani não dance a marcha fúnebre, poderá elevar-se ao céu. Num lugar onde a torcida corintiana gritará seu nome incansavelmente. E onde não há cientistas, vampiros ou coisas do gênero. Onde ele possa escrever uma história mais água com açúcar, daquelas com finais felizes. Enfim, a esperança é a última que morre. Ou será o Dualib?

Um comentário:
Com certeza Dualib morre por último, antes morre o Corinthians. Para minha felicidade.
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