
Os estaduais não podem acabar. Ou melhor, não podem acabar com os estaduais. Uma partida como Corinthians x Flamengo, tem audiência cativa de 70 milhões de torcedores. Mas, nem de perto, mexe tanto com um torcedor como um Fla-Flu. É emocionante ver um Atlético/PR x São Paulo. Mas chega a ser cardíaco um Atletiba. Tudo isso graça aos estaduais. Quando não existiam competições nacionais regulares, os estaduais prevaleciam no calendário dos clubes. Por causa deles se desenharam as torcidas e as rivalidades. Eles ditaram quem é time grande, e quem é time pequeno.
O calendário atual tem datas fixas para um campeonato nacional de pontos corridos. O estadual é disputado no começo do ano, quando os clubes estão em preparação para as demais competições. Ao contrário do que pensam cartolas e dirigentes, a torcida não quer o fim dos campeonatos estaduais. Sem eles os grandes clássicos seriam escassos. Que torcedor quer isso?
Os estaduais devem ser o mais breve possível. Inflar a tabela com mais de 12 clubes é tornar cansativo e maçante um campeonato com pouca competitividade. Os estaduais são ganhos, quase na totalidade, pelos times de massa. Times de menor expressão colecionam, quando muito, um título em tempos longínquos. As chances desses “pequenos” aumentariam em um calendário mais enxuto. Concordo que em cada estado pode haver uma forma diferente de disputa. Mas que essa fórmula prevaleça por muitos anos.
O Campeonato Paranaense deste ano, como frisou Diogo em seu comentário, tornou-se uma piada. E de muito mau gosto. Coincidiu suas datas com a Libertadores da América, que o Paraná está disputando. O time foi “obrigado” a jogar duas partidas em 48h para não prejudicar o andamento da competição. O Paraná tinha o direito de não pisar em campo. E devia tê-lo usado. Assim, não seria conivente com a Federação Paranaense, que ao fazer o calendário, provavelmente, não tenha acreditado que o time passaria para a fase de grupo da competição intercontinental. Se a Federação não atende as necessidades de um dos grandes clubes do estado, o que dirá dos times do interior. Por causa desta Federação, mal administrada, podemos ver a Copa do Mundo de 2014 passar longe dos estádios paranaenses. Ricardo Teixeira não se deu o trabalho de pisar na cidade para um encontro com o governador Requião, como fez no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Mandou pelo correio o caderno de normas da Fifa.
Todo ano é a mesma história. Novo regulamento, nova forma de disputa. Desorganização, desgaste e desinteresse. Mesmo assim o Paranaense é uma paixão da torcida. Conquista-lo significa muito. O Atlético/PR desprezou a competição deste ano, mas quando a vaga na Copa do Brasil ficou mais difícil, percebeu que ela poderá ser a salvação do calendário. O Paraná está focado na Libertadores, mas não vai entregar o título de bandeja, quer o bicampeonato. O Coritiba corre para provar à torcida que o time pode ser vitorioso.
E atleticanos, paranistas e coxas torcem para que em 2008 o estadual seja mais respeitado e recupere o brilho de outrora.

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