quinta-feira, 5 de abril de 2007

Romário, Copa-Rio 51 e JK

Nestes últimos dias o futebol vive a expectativa do milésimo gol de Romário. E se viu de tudo. Menos a questão político-social do fato. Ao folhar o diário L! desta terça-feira, deparei-me com a coluna de José Luiz Portella. Que levantou a tese de que: “Ou se tem um critério que se aplique a todos, independentemente, da nossa admiração, ou nosso Brasil continuará sem regras e organização. Anômico. Fazendo cada coisa conforme o interesse do momento. A gerar injustiça e desperdício.”. A opinião quanto ao milésimo gol de Romário já foi publicada neste blog. O que era para ser a celebração do feito de um atleta, agora, respingará no comportamento do brasileiro, segundo o colunista. Mas ele não parou por aí.

Outra polêmica da semana foi o reconhecimento do Palmeiras, pela Fifa, como legítimo Campeão Mundial, por conta da conquista da Copa-Rio de 51. À esse respeito, Portella publicou o seguinte: “Campeonato do mundo com lógica e mérito é difícil, porque a Fifa, como o Brasil aplica uma regra de cada vez, de acordo com o interesse do dia. Ou se tem um critério ou nenhum. Então 51, também vale. Vale muito para os brasileiros que viveram a dor do “Maracanazzo” de 50.”. Quer dizer. Nossos critérios para atribuir mil gols à Romário são politicamente incorretos. Mas os critérios da Fifa, para distribuir títulos mundiais, é um conforto à nossa auto-estima. Vocês pensam que acabou?

“51 é uma boa idéia, sim. Abriu a porta para 58, a mostrar que o Brasil podia. Foi importante para o país viver as realizações da época de JK, o maior brasileiro da história. Ele fez.”. Dizer que a Copa-Rio de 51 era para apagar a derrota na Copa do Mundo de 50, é afirmar que foi um campeonato arrumado. Pois, caso o campeão fosse a Juventos/ITA, seria mais uma dor no “Maracanazzo”. E só os palmeirenses vibraram, e vibram, com a conquista de 51. Se a taça não está na CBF, não é do Brasil. É do Palmeiras. Quanto a Juscelino Kubitschek, torcedor do América/MG, passo a bola para o Marcus Vinicius comentar suas glórias políticas. Assim como JK deu um toque de letra no aumento da dívida externa. E quem abriu as portas de 58 foi um moleque aí, chamado Pelé. Ele fez.

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