quinta-feira, 26 de abril de 2007

GPS, Prancheta...Bomba e Cuia


O Fluminense começou mais uma temporada prometendo planejamento. Para comandar o elenco tricolor, mantiveram o técnico do final ano passado, Paulo César Gusmão. Foram contratados 15 jogadores. Alguns deles de renome, como Alex Dias e Carlos Alberto. Algumas promessas, como Cícero e Soares. Mas a maioria era mesmo do nível do Rafael Moura, o He-Man do Corinthians.
No inicio da preparação, PC Gusmão quis mostrar ser um técnico moderno. Aliou a tecnologia ao futebol, instalando um sistema de GPS no campo de treinamento. Assim, poderia saber como o time se movimentava dentro de campo, através de um radar. Pelo jeito, o satélite enviava informações distorcidas, talvez algum tipo de interferência. Pois, quando o treinador resolveu montar o time a olho nu, já era tarde demais. Enquanto o titular do time, Rafael Moura, mostrava o que mais sabia fazer – perder gols – o Fluminense em 13 jogos, ganhou apenas dois. Isso no campeonato estadual. Uma competição muito inferior ao Brasileirão ou até mesmo a Copa do Brasil. Acabou sendo dispensado com um aproveitamento, vergonhoso, de 28,2%.
Após a saída de PC Gusmão, foi a vez de Joel Santana assumir o Fluminense. A diretoria radicalizou. Trocou todo o sistema de satélites, radares e cyborgs, pela velha prancheta de Joel. Algo bem mais rústico. Papel, caneta e um campinho de metal cheio de imãs de geladeira. Se não funcionou ligado na tomada. Talvez o caso do Flu fosse dar umas porradas. Mas o treinador também não conseguiu achar uma solução para o time. Ficou de fora da disputa da Taça-Rio, e acumulou quatro derrotas em dez jogos. Pelo menos o artilheiro/zagueiro, He-Man, não era mais titular. Mérito da prancheta. Mas a diretoria acabou achando inevitável a demissão do treinador. E o carrossel de técnicos continuou nas Laranjeiras.
Agora é a vez de Renato Gaúcho tentar bater o recorde de permanência no cargo de treinador. Outrora ele foi ídolo do clube com a bola nos pés. Era o preferido da torcida. Mas em dois anos no rival, ficou apenas no “quase”. Quase mil; quase na Libertadores; quase campeão. A longevidade do técnico no comando do Vasco foi, na verdade, a receita do sucesso, ou quase, do time. É bom treinador, mas precisa de tempo para trabalhar. O problema é o clima de tensão que paira sobre o Fluminense. Trabalho para o coordenador de futebol do clube, Dieguito Branco – irmão perdido de Maradona. Apostar que a permanência do treinador, um dia renda algo mais do que “quases”.

Mas de todos os problemas existentes no Fluminense, como a falta de comando e a intervenção argentina, o maior de todos continua sendo a parceria com o plano de saúde. O parceiro interfere diretamente no futebol do clube. Contratando e demitindo, de acordo com seus interesses. Mas, pela maneira que a parceria encara o futebol, não se sabe suas reais ambições. Pois, para uma empresa particular voltada à saúde, o que parece mesmo é que o Fluminense anda sendo tratado pelo SUS.

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