quinta-feira, 5 de abril de 2007

Tapetão à Serviço do Futebol


Bons os tempos em que o campo acabava nas quatro linhas. Eram onze de cada lado tentando fazer a pelota passar entre os travessões. Os cartolas limitavam-se a especular pelos bastidores. E o advogado do clube preocupava-se apenas com contratos de jogadores.
O futebol era só para ser jogado. Com o passar do tempo o livro de regras foi ganhando novos parágrafos. E desde sempre quem julga e sentencia dentro de campo é o árbitro. Deram ao árbitro, assistentes, mas a palavra final continua sendo dele. Validar ou anular, é tarefa única e exclusiva dele. Para garantir a imparcialidade e competência destes árbitros há órgãos para fiscalizá-los. É obrigação desses órgãos, além de formá-los, puni-los por seus erros.
Já questionaram tudo dentro do futebol. Chegaram a fazer testes com dois árbitros ou quatro assistentes dentro de campo. Mas nunca tentaram criar uma maneira de excluí-los do gramado. Por uma razão muito óbvia, é impossível. Ele é essencial para o jogo, assim como o goleiro. Aquele personagem de preto correndo pelo campo pode decidir o futuro de uma partida. É muito poder para uma pessoa? Sim. O que é marcado por ele dentro de campo, deve ser mudado fora dele? Não. E se ele estiver de acordo para favorecer um clube? O clube e o árbitro devem ser punidos severamente, mas o resultado não pode ser mudado. Caso o time favorecido seja campeão, faz como se fez na Itália em 2006, institui-se um campeonato sem campeão. Uma nova partida, um novo árbitro, dado as circunstancias não seria imparcial. Já imaginaram, se o time favorecido, na primeira partida, volta a vencer?
Uma falta não marcada aos 25 minutos de jogo, é vital para o gol sofrido aos 32 minutos. Qualquer lance apontado pelo árbitro muda a partida. O mínimo lateral mal marcado, favorece a posse de bola para o outro time.
Depois de termos campeonatos inteiros reformulados por conta dos tribunais, a última do tapetão nacional vem de Pernambuco. Na partida Central 2 x 1Vera Cruz, o árbitro Wilson de Souza Mendonça, não validou um gol do time do Vera Cruz. A bola furou a rede e saiu pelo outro lado, o árbitro marcou tiro-de-meta. Erro, desculpem não achar adjetivo mais adequado, bisonho. O gol seria o empate do Vera Cruz. Mas não valeu. Não fosse a Federação Pernambucana. Agora o resultado oficial do jogo é 2 x 2. A Federação entendeu que o árbitro teve influência direta no resultado final da partida. Com certeza. Mas validar um gol anulado, não é fazer justiça. Afinal, o time do Central perdeu os pontos e a chance de tentar fazer o terceiro gol. Mesmo o time do Vera Cruz não terá essa chance. Então por que não tirar três pontos do Central? Por que não dividir, um ponto e meio para cada um? Questões como estas soam tão absurdas, quanto mudar o resultado de uma partida fora de campo. A bola entrou. Mas o gol não valeu.
Não existem “campeões morais” no futebol. Se não levantou a taça, não é campeão. O Internacional não é o campeão brasileiro de 2005. A Espanha não é bicampeã do mundo (94,02). Foi-lhes tirada a chance de disputar o título por conta de erros da arbitragem. Os erros destes árbitros, não foram menores do que o cometido por Wilson de Souza Mendonça. O que resta a estes times é a indignação. Nem a punição máxima da Comissão de Arbitragem, serve de alento para os torcedores. Serve, realmente, para mostrar seriedade no futebol. Para mostrar, que a profissionalização da arbitragem é crucial para que o apito seja levado a sério. E para manter os tribunais cada vez mais longe do placar da partida.
Não existe a arbitragem perfeita. A própria regra, preza pelo bom senso e pela interpretação do lance. Portanto, o que é interpretativo, não pode estar errado. Acredito que “errar é humano”. Mas também acredito que “o futebol é uma caixinha de surpresas”.

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