“Extra! Extra! Menino de 6 anos é aliciado.” – Pervertido à solta? Família inconformada? População revoltada? NÃO. Pai orgulhoso. Provavelmente é só mais uma grande descoberta de um empresário do futebol. As táticas de conquista estão mais aprimoradas. Não oferece-se mais balinhas, agora eles vêm munidos de um contrato e a promessa de fama e fortuna. O dito “tarado em porta de colégio” poderia ser facilmente substituído por “empresário em peneira de clube”. E como se ganha muito pouco trabalhando em reais, os aliciadores de hoje em dia fizeram do mercado internacional da bola uma verdadeira Neverland. As restrições quanto à idade, que constam na regra, de nada valem quando assunto é dinheiro. É claro que com a permissão da família. Mas nada que um Monza 94 não resolva. Sorte do aliciador que ver primeiro. Mas uma promessa assim é difícil de esconder, e logo terá que disputar o carinho da criança e de seus pais com outros aliciadores. Com o avanço das comunicações os casos incestuosos também tiveram uma crescente. O pai filma o filhinho batendo uma bola, põe na rede e pronto: O novo Ronaldinho surge na Turquia. Está aberto o leilão. Compra-se o passe do garoto, mas tem que levar o pacote completo: pai, mãe, tia, papagaio e cachorro. O mercado europeu parece ter se desinteressado pelos sub-20, hoje em dia quanto mais sub melhor. E se o menino for bom mesmo, compra-se uma nova cidadania. Quem repara? Se o João da Silva for o centroavante da seleção alemã? Foi-se o tempo em que atribuia-se facilmente as origens de um craque: Clube Atlético Bauru, São Cristovão, etc. Hoje eles atendem por nome e sobrenome. E “olheiro” tornou-se uma profissão tão obsoleta quanto técnico de categoria de base. Por isso se você levar seu filho para uma pelada não fique bravo se o tiozão ali estiver secando ele. Ele só quer ser seu amigo. Vai ser tudo meio a meio.
sexta-feira, 23 de março de 2007
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