domingo, 25 de março de 2007

Melancia no Pescoço

Após o deslize contra o Necaxa do México, Rogério Ceni afirmou ter se desacostumado com a derrota. Fato raro em tempos de futebol competitivo. Ainda mais para alguém com 18 anos de carreira. Não bastasse perder o pênalti, Rogério ainda tinha que se sobressair no grupo assumindo toda a responsabilidade e se dizendo inconsolável. Não fique assim, Ceni. Você perdeu um pênalti no primeiro tempo, quando o jogo estava um a zero para o São Paulo. O time do México reagiu, isso não foi culpa sua. O São Paulo não conseguiu marcar mais gols, isso também não é culpa sua. Mas declarar que a derrota faz parte do passado do São Paulo, mostra que a soberba não se limita aos gramados. Soberba esta, usada em forma de displicência para perder aquele pênalti. Não sou contra o futebol bem jogado. Sou um fã dele. Mas quando há fundamento e objetividade.
Há muito tempo a diretoria do São Paulo alia bom planejamento com a “boca grande” de Marcos Aurélio Cunha. Que já cansou de engolir sapos. Trazer a postura de um dirigente para dentro de campo é a maior causa dos insucessos do tricolor. Que por sorte conta com treinador que não gosta de perder, como Muricy Ramalho, para que o time não perca o foco com declarações de Ceni, Souza, Cunha e companhia. Indiscutível a competência do elenco são-paulino. Louvável o amor de Rogério Ceni à camisa do São Paulo. Mas há muito tempo o São Paulo não é mais “um time a ser batido”.
Tudo o que está escrito acima pôde ser confirmado no jogo contra o São Caetano. A derrota foi justificada por Rogério Ceni antes do início da partida. Viagens, contusões e convocações fariam o São Paulo perder. Em campo um time muito inferior ao São Caetano. A não ser na firula. Destaque nesse quesito para Hugo e Souza. O São Paulo também ameaçou o São Caetano, poderia até ter vencido. Mas imaginem o discurso. Seria algo no estilo Galvão Bueno. Os deuses do futebol, a superioridade eclesiástica do São Paulo, coisas do gênero. Quem sabe esta derrota faça Ceni se sentir mais confortável. Seja bem-vindo à realidade.

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