
Foi um verdadeiro tcheca-tcheca na La Bombonera, 3 a 0, e sem a devida proteção lubrificada. E por falar em tcheca, o meia Tcheco do Grêmio, literalmente, deu as costas para o Boca Juniors. Há tempos um jogador não se acovardava tanto diante da nação bicolor argentina. Já a camisa 10, pelo lado dos hermanitos, foi espetacular. Riquelme dessa vez não amarelou. Mas o Grêmio...
Vibração para toda torcida colorada. O comentarista e ex-jogador do Internacional, Falcão, foi um gato preto para o Grêmio. Mas verdade seja dita, cada torcida tem o time que merece. Os gremistas tanto fizeram para que fossem inevitáveis as comparações ao futebol argentino, que acabaram caindo, sentados, diante (ou de costas) dos seus maiores ídolos. Não há muito para falar do jogo pelo lado do tricolor gaúcho. A não ser algumas investidas de Carlos Eduardo e Lúcio pela esquerda, mas nada que possa figurar nos melhores momentos da partida. Festa mesmo ficou para o lado dos visitantes. Muito, muito mesmo, papel picado e papel higiênico voando das arquibancadas antes do inicio da partida. Na platéia, além de Maradona, o diretor americano Francis Ford Coppola, que acabou vendo uma atuação à la Vito Corleone dos argentinos.
Mas será um alento para torcida gremista perder o título para o Boca. Aliás nada mais natural do que o professor vencer o pupilo. Eles ainda terão a honra de receber Maradona nas tribunas do Olímpico. O jogador argentino, segundo uma faixa exposta pela torcida gaúcha, é gremista e ainda por cima foi melhor que Pelé. Portanto, ao Grêmio o que é do Grêmio. Não haverá tristeza em Porto Alegre. Se o Boca Juniors vencer a Libertadores, será como se o próprio Grêmio estivesse levantando a taça. Sobrarão aplausos e reverências aos hermanitos, que foram tão gentis, carinhosos e ligaram no dia seguinte para os tricolores.
O leitor pode estar percebendo uma contradição do blogueiro, tendo em vista posts anteriores. Pois bem, justo eu, que tanto fiz para que as comparações entre o Grêmio e o futebol argentino se resumissem a avalanche nas arquibancadas, tive que engolir minhas palavras junto com a faixa, desrespeitosa desmemoriada, da torcida gremista. Afinal o que é pior do que um argentino que ache que Maradona foi o melhor? Um brasileiro que ache isso. Se há realmente identificação com o futebol e com tudo que a Argentina tem para oferecer, sou a favor de que seja reaberta a discussão sobre o movimento “O Sul é meu país”, se algumas alterações na divisão fossem refeitas. Por exemplo, mudar o título do movimento para “O Rio Grande do Sul é meu país”. Afinal Santa Catarina e Paraná não tem nada a ver com isso. Dividir as fronteiras e entregar o território ao governo argentino, com a condição de que as louras e os churrasqueiros permaneçam em território brasileiro.
Defendi o Grêmio em respeito ao futebol brasileiro, acabei sendo apunhalado, mas de frente. Ao escrever sobre futebol, devemos tomar alguns cuidados como nos campos de batalha. Nunca confiar em ninguém e não dar as costas ao inimigo. Essa última lição vale também para o time gremista, a não ser, é claro, que eles gostem.

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